domingo, 1 de maio de 2011

Centro Cultural Feminino encontra dificuldades para manter tradição


Há cerca de 25 anos existe na cidade de São João del-Rei o Centro Cultural Feminino, um espaço dedicado as mulheres são-joanenses que possuem interesse em tricô, artesanato, crochê e outras artes manuais. Atualmente está localizado na Rua Marechal Bittencourt, antiga Zona Boêmia de São João del-Rei, mas já funcionou em diferentes pontos da cidade. Após a Prefeitura Municipal cortar a verba destinada ao aluguel da antiga sede, o Centro Cultural tem dificuldade de manter a tradição artesanal, além disso, a concorrência com as indústrias têxteis e a falta de interesse da população são outros fatores que está levando o Centro à decadência.
O Centro Cultural surgiu na época da candidatura de Tancredo Neves a presidência. Segundo a atual presidenta Nely Lúcia Ribeiro Silva, mais conhecida por Guigui, mulheres de todo o Brasil e de São João del-Rei criaram um movimento feminista para apoiar a candidatura de Tancredo. Guigui disse que após o término das eleições Maria Amélia Dorneles, que liderava o movimento feminista em São João del-Rei se reuniu com as mulheres mais dedicadas e comentou que o movimento não podia dispersar na cidade, pois ela queria manter a força feminina. Maria Amélia decidiu então criar um movimento feminista que reunia atividades de artesanato, bordados, teatro e trabalhos manuais diversos, assim nasceu O Centro Cultural Feminino no dia 8 de março de 1986.
Guigui comenta que participa do Centro Cultural Feminino, desde quando foi fundado, mas que vê muitas diferenças dos anos 80, 90 para os dias atuais. “Antigamente as mulheres eram mais interessadas do que são hoje, nós tínhamos muitas jovens e senhoras que participavam. Atualmente, as jovens não se interessam por nada que a gente faz. Quando promovemos a Semana Bárbara Heliodora, especialistas de diversas áreas como arquitetas, engenheiras e médicas dão palestras gratuitas sobre assuntos de interesse feminino, mas hoje poucas mulheres participam, não passa de 20”, informa.
Maria Conceição de Jesus Cesário, participante também desde a fundação, comenta sobre as dificuldades de manter o Centro Cultural. “O povo não dá valor nenhum para o artesanato, a gente faz mesmo porque é uma coisa que gostamos de fazer, se dependermos do artesanato para viver passamos fome. Hoje, as pessoas preferem comprar uma confecção industrial da vitrine, e não dão valor no que fazemos, acham caro, não reconhecem nosso trabalho. Também, principalmente os jovens não têm interesse em aprender, eu montei uma escolinha gratuita para ensinar os artesanatos e ninguém quis nada, não tiveram interesse”.
No passado o Centro Cultural realizava e participava de diversas atividades como, por exemplo: Feira de Artesanato Norte-nordeste de Minas, exposição de artes e artesanatos, apresentação de Congado nas ruas de São João del-Rei exibição de filmes sobre a mulher, dentre outras. Mas, a prefeitura da cidade cortou as verbas destinadas ao Centro Cultural, com isso muitas mulheres ficaram desempregadas e a casa onde ele situava foi tomada. “O centro ficou fechado por uns 5 anos, ficamos desempregadas, dependíamos da prefeitura, pois ela sedia a casa, eles não reconheceram nosso trabalho de manter a cultura local, foi um desastre”, desabafa Maria Conceição.
Com o apoio do Governo Estadual, uma verba foi cedida ao Centro Cultural para aquisição de uma casa, a fim de retornar o funcionamento. Há dois anos foi construída a casa e reaberto, mas segundo a presidenta ainda falta apoio local e reconhecimento. “Não podemos deixar uma tradição morrer, às vezes não temos nem dinheiro para pagar a conta de luz, temos que tirar do nosso bolso para mantê-lo. Fazemos tudo por amor, aqui somos uma família, trocamos experiências e damos risadas”.
Maria Helena Monteiro Develasco conta que ficou sabendo do Centro Cultural por uma amiga no Rio de Janeiro e se interessou pelo trabalho desenvolvido, já que tem paixão pelo artesanato. Ela mudou para São João del-Rei e então resolveu participar. “Aprendi muito aqui, o clima é ótimo, fazemos tricô, crochê, bordados e trocamos histórias, fico indignada de ver a administração local não valorizar nosso trabalho, eles não dão a mínima, não nos ajudam em nada”.
Já Rosa Luzia Pereira da Silveira, participa desde os anos 90 e comentou que o interesse pelo artesanato e o clima acolhedor do Centro Cultural a motivou fazer parte. “Eu amo artesanato e aqui é um lugar onde a gente chega, trabalha, conta muito caso. Tem dia que estamos muito apreensivas e aqui relaxamos, pois é um lugar muito gostoso, somos uma família”.
Hoje o Centro Cultural conta com cerca de 40 membros e qualquer pessoa que tenha amor pelo crochê, tricô, bordado e goste de trocar experiências pode participar. Para isso, basta ir até a sede e procurar a presidenta. “Mesmo com todas as dificuldades, não podemos deixar que o Centro Cultural acabe, pois fazemos parte da história e contribuímos para cultura de São João del-Rei. Precisamos de apoio tanto da população quanto da administração local. Também estamos de portas abertas para todos os artesãos que queiram utilizar nosso espaço para expor seus trabalhos”, conclui a atual presidenta, Nely Lúcia Ribeiro.

domingo, 30 de janeiro de 2011

A arte no séc XX

• As artes do século xx

Com as vanguardas européias, que pode ser considerada um debate cultural, a arte passou a ser vista não como forma de representação, mas como a construção da realidade.
A ideia de verossimilhança, como por exemplo, a imitação da natureza que era a base da tradição ocidental entrou em crise. A partir disso, a arte passou a ter uma construção lingüística e expressiva, ou seja, a expressão do indivíduo e não mais a relação fiel com a natureza.
As vanguardas européias possuem novas linguagens, provocações e é considerada uma ruptura com as estéticas precedentes. Os movimentos culturais desse período são: o Futurismo, Expressionismo, Cubismo, Dadaísmo e Surrealismo.


• O Cubismo

O Cubismo originou-se na obra de Paul Cézanne, para ele a pintura deveria retratar as formas da natureza como se fossem cones, esferas e cilindros. Ele não há imitava, mas há transformava.
Mas, os cubistas foram mais longe que Cézanne. Passaram a representar os objetos com todas as suas partes em um mesmo plano, essa atitude de decompor os objetos não tinha nenhum compromisso de fidelidade com a aparência real das coisas.
O Cubismo divide-se em duas fases: Cubismo Analítico (1909) e Cubismo Sintético (1911). Dentre os artistas principais destaca-se: Pablo Picasso, Georges Braque, Juan Gris, já no Brasil destaca-se Tarsila do Amaral e Rega Monteiro.

• Pablo Picasso

Pablo Picasso é um artista espanhol, nasceu na cidade de Málaga em outubro de 1881 e faleceu em abril de 1975 na França. Além da pintura destacou-se em diversas áreas das artes plásticas como escultura e cerâmica.
Suas obras podem ser divididas em diversas fases, dentre elas a Fase Azul (1901 – 1904) que representa a tristeza, a miséria e o desespero humano. Já na fase Rosa (1905 – 1907) suas obras apresentam uma conotação lírica e há predominância das cores rosa e vermelha. Em 1907 a obra Les Demoiselles d’ Avignon começa elaborar a estética cubista.
Na última fase de sua vida, Picasso aborda temas como a alegria do circo, o teatro, as tradicionais touradas e passagens marcadas pelo erotismo.

Obra: Les Demoisseles d’ Avignon

Les Demoisseles d’ Avignon é uma das obras mais famosas de Pablo Picasso. Foi pintada em 1907 e encontra-se exposta no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque nos Estados Unidos.
Ao observar a pintura é evidente a representação da sexualidade. As partes sexuais estão expostas, embora não de forma natural, já que a proposta do cubismo era de transformar os elementos da natureza. Há uma expressão de medo das mulheres representadas.
É um quadro impactante para o público da época, pois eles não estavam acostumados com esse tipo de representação, que evidencia o marco do cubismo. É possível também notar a influência de civilizações como a oceânica e a africana, pois há predominância de máscaras que assemelham as esculturas africanas.
Quanto às cores são evidentes tons cinza, bege e castanho.
Outra característica é a geometrização de formas e volumes, por exemplo, as cabeças das mulheres retratadas estão fora do padrão comum, também na representação do corpo é possível observar a presença de figuras geométricas. O artista renúncia a perspectiva, parece que a pintura evidencia algo criado em sua mente, as suas idéias.
É possível perceber também várias faces da figura, característica presente em uma das cinco mulheres, ao mesmo tempo podemos vê-la de frente e de costas.
Picasso é considerado um dos mais importantes artistas plásticos do século XX. Já dizia Alberto Beuttenmüller: “Picasso é o artista do devir e o que está passando, a um só tempo, do hoje e do arcaico, o artista que mudou tudo para que tudo restasse no mesmo lugar. O artista veloz que se permite ser do século XX e de todos os séculos, sem deixar de ser do agora. Picasso foi um movimento que se fez pintura, mais que todas as escolas do século XX; foi e é o pintor-tempo.”

Referências
Filme: As artes do século XX, do professor de História da Arte- FAU/USP, Luciano Migliaccio.
http://www.suapesquisa.com/picasso/
http://www.historiadaarte.com.br/cubismo.html
http://www.girafamania.com.br/artistas/personalidade_picasso.html
http://acertodecontas.blog.br/artigos/picasso-uma-dinamite-na-arte-do-seculo-xx/
Acessados em 19 de junho de 2010.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Um pouco sobre Van Gogh...



Obra: Doze girassóis numa jarra





*Análise do autor e da obra

Van Gogh nasceu na Holanda, era o filho de um pastor evangélico. Trabalhou por pouco tempo numa galeria de arte, como professor assistente e também foi pastor protestante. Após um longo período de intensas pesquisas, Vincent resolveu tornar-se um artista. Como escrevera mais tarde, ele desejava deixar para a posteridade "alguma lembrança em forma de desenhos ou pinturas, não para agradar alguém em particular, mas para expressar um sentimento verdadeiro."
Amparado emocionalmente e financeiramente por seu irmão mais novo, Theo, Vincent passou sete anos trabalhando como artista eventual em Paris, no entanto, foi no sul da França que ele desenvolveu um estilo mais amadurecido.
Em 1888, começou a sofrer de um tipo de doença que o deixava um tanto violento e propenso a ataques psicóticos. Durante uma internação e depois de ter uma discussão com seu amigo Paul Gauguin, Vincent cortou parte da orelha. Ele passou a maior parte de seus últimos anos em clínicas para tratamento mental e finalmente, após um surto de criatividade quando pintou 70 quadros em algumas semanas, deu um tiro no próprio estômago vindo há falecer dois dias depois.
Por cartas, ele mantinha contato com seu irmão Théo. Nessas cartas ele se mostra sensível ao aspecto visual do mundo, às paisagens, às cores, e suas descrições invocam irresistivelmente os quadros que ele pintará mais tarde.
Em uma dessas cartas ele diz: “(...) Estou com três telas em andamento: 1) três grandes flores num vaso verde, fundo claro, tela de 15; 2) três flores, uma em broto e desfolhada e um botão sobre fundo azul real, tela de 25; 3) doze flores e botões num vaso amarelo (tela de 30). A última, portanto, é claro sobre claro e será a melhor, espero. Provavelmente não ficarei nisto. Na esperança de viver um ateliê nosso com G., eu gostaria de fazer uma decoração para o ateliê. Nada além de grandes girassóis. Ao lado de sua loja, no restaurante, você sabe que há na decoração muito bonita com flores, eu sempre me lembro do grande girassol da vitrine. (...)”
Van Gogh pintou algumas obras conhecidas como naturezas – mortas particulares e muito célebres dentre elas está os girassóis.
Sua obra possui cores esmaltadas, suntuosas, ricas de reflexo (descrição pictural, cromática, da paisagem).
Doze girassóis numa jarra é considerada uma das melhores e mais famosas obras do pintor. Dentre as características da obra podemos destacar:
· Ênfase no tema da natureza.
· O vaso é carregado de energia vital.
· Sua composição é perfeita, estruturada, organizada e pensada.
· Pintura clara e luminosa.
· Utilização da pincelada como elemento construtor.
· Estrutura nítida e equilibrada.
· Sensação de serenidade e harmonia.
· Representa uma pintura humilde.
· Contornos grossos.
· Utilização de amarelos – quentes.
· Uso de tons claros como o azul e o verde.
· Retrata sua emoção.
· Presença de girassóis murchos que talvez retratem a tristeza.
Por curiosidade, seu ataúde foi coberto com uma simples toalha branca e rodeado com ramos de flores, os girassóis que ele amava tanto. (Segundo um amigo de muito tempo de Vincent, o pintor Emile Bernard, escreveu acerca do funeral em detalhe a Gustave-Albert Aurier).
Esse quadro foi acabado em agosto de 1888 e está hoje exposto na
Neue Pinakothek, em Munique. Assim, não há dúvida de que Van Gogh é um grande artista e merece todo o nosso prestígio e respeito.